Artigos recentes

Navigation

A Escola e a Cidade, de Delma Faccin

Resenha de um texto que retrata sobre o que é uma cidade educadora.
Este poste refere-se a uma atividade proposta no curso Educação Integral e Integrada.

Resenha: A Escola e a Cidade

A ESCOLA

O conteúdo do módulo VII - A ESCOLA E A CIDADE, de Delma Freo Faccin, trata da educação frente às transformações sociais econômicas e culturais, pensada para um sistema educativo de educação integral, em que o aprender se faça a todo tempo e em todo local; haverão então instituições em que o ensinar e o aprender está além dos limites internos de uma sala de aula, da escola. O programa Mais Educação é então uma estratégia para implementação da educação integral.

São necessárias políticas públicas educacionais que desenvolva valores e atitudes que a comunidade não assume como próprios. Estão perdendo suas ‘identidades’, tornam-se cada vez mais individualizados e distanciando de seus compromissos com a educação. É preciso que família e comunidade tornem-se parceiros da escola, que sejam parte dela e contribuam para seu próprio desenvolvimento ao investirem na educação.

É preciso que se tenham ações integradas discutidas e estruturadas a partir do projeto educativo da escola e que estejam de encontro com a realidade da comunidade próximo a cada unidade escolar. A autora cita os pilares, segundo Delors: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser como necessários ao alcance do conhecimento.

Há que pensar bem sobre os acertos e erros em cada escola, sobre o que ela anseia, quais são seus principais problemas e propor ações que os supram. É necessária uma investigação dos processos das experiências que evitam o fracasso escolar. A autora cita ainda a Rede de Saberes Mais educação com o trabalho com as Mandalas dos Saberes. 

Ao estruturar o projeto político-pedagógico para a educação integral, ao menos 3 horas diárias devem ser previstas a atender os múltiplos aspectos da educação integral. Cita-se ainda ações complementares já prevista em Lei e que compõem a educação, e relata que há que prever no PDE o ensino de educação integral. Ressalta que não bastam documentos legais garantido a educação integral, há que efetiva-la numa proposta pedagógica consistente, coerente com as diferentes realidades da educação brasileira.

Segundo a autora, “o papel da escola de educação integral e integrada pode ser visto com um laboratório de experiências culturais, sociais e históricas em que a realidade e o conhecimento adquirem novas formas”, quer dizer, não se irá implantar nada novo, quer-se um resgate de valores culturais, históricos e sociais que têm se perdido, tudo isso além dos conteúdos curriculares já previstos em uma escola comum.

Faz-se mais que nunca necessário construir um projeto pedagógico de educação integral com presença marcante de todos os atores envolvidos na educação. Assim, “as ações e metas integradas autenticamente democráticas para a escola devem ser voltadas para a formação dos indivíduos e o seu reconhecimento como cidadãos”.

As políticas de educação têm proporcionado cada vez mais programas que visam a ampliar a jornada escolar, e com isso propiciam novos locais e maior tempo para que as práticas educativas possam realmente atingir a comunidade. Há que ampliar tempos e espaços educativos, compreender o processo de mudança paradigmática na educação, ter a cidade como território educativo-educador, construir a intersetorialidade entre as políticas públicas de diferentes campos, potencializar a oferta de serviços públicos, legitimar os saberes comunitários e vivenciados.

A cidade educadora dispõe então os espaços públicos como espaços da educação (algo para além dos muros das escolas).


A CIDADE EDUCADORA

Ao estabelecer políticas de apoio e incentivo à ampliação da jornada escolar, na perspectiva da educação integral, no objetivo da formação para e pela cidadania, há que se comprometa com a cidade.

Uma cidade que se tornará educadora “pode ser uma cidade que se reconhece com inúmeras possibilidades educativas”. A autora cita a Carta das Cidades Educadoras, com princípios a serem respeitados por uma cidade que pretende se tornar educadora.

O momento é outro, em que a cidade tem perdido sua função comunitária, educativa e civilizadora. Já se percebe a necessidade de se estruturar uma cidade, uma comunidade para o resgate de sua função. Acredito que a procura de pacificação em favelas do Rio de Janeiro, por exemplo, indicam bem a necessidade de se trabalhar pela comunidade, para que ela seja capaz de se promover.

Uma cidade que pretende ser educadora, precisa antes, dar conta das principais mazelas que a aflige. O que presenciamos nas escolas, é muito fruto do que vivenciamos nas ruas. O cidadão precisa ter uma imagem de sua cidade que favoreça as experiências assertivas. A cidade deve “recuperar seu espaço público de discussão e realização, fortalecendo o desenvolvimento de experiências culturais mediante o exercício da cidadania”.

A escola tem para si o papel de uma educação para todos, de educar para a vida; ela então deve ser a própria vida, mas se a vida vai para além destes muros físicos da instituição, a escola é também para além deles.

Para ter uma cidade educadora deve-se garantir para além dos grupos, um todo comum, definido em equipe, mesmo que estes grupos se objetivam de diversas vertentes; isso ocorre com o respeito, com o conhecimento do que é diverso; do saber que somos todos iguais e mesmo assim termos nossas individualidades preservadas.

Integração entre a escola e a cidade educadora.

“A escola não é a única via de aprendizagem, e sim uma dentre muitas possibilidades de adquirir conhecimento”. Uma rede de integração sustentada nos pilares promovidos pela escola: conhecimento, ocupação, intervenção e participação nos espaços e equipamentos urbanos pelas crianças.

É necessário para a escola rever constantemente seu currículo, pois a cada momento de interação com a cidade, o aluno se aprimora, se proporciona novos desafios, começa a intervir no movimento da cidade. Junto, deverá estar o professor, procurando sempre se aprimorar.

A educação deverá ser prioridade para a cidade. A cidade educadora é “uma cidade que demonstra alternativas de práticas educativas que podem garantir a participação em sua integralidade”. Há então, que promover o maior comprometimento do governo local. A educação integral é “a relação resultante de uma nova lógica de poder, de colaboração solidária, na qual escola e cidade lutam pela democratização dos espaços, pela inclusão social, pelo respeito à diversidade, pensando a educação em plena consonância com a vida de todos os sujeitos da sociedade”.


Referência


FACCIN, Delma Freo. A Escola e a Cidade. in Aperfeiçoamento em Educação Integral e Integrada. Volume 2. FUNAPE, Goiânia, 2010.

Charles Bastos

Comente este artigo:

0 comentários:

Os comentários neste blog são moderados pelo autor. Leia sobre a política de comentários.