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Discussões e opiniões sobre mídias na educação

O sujeito e as mídias. Discussões e opiniões sobre a influência midiática no sujeito.

Cultura das Mídias: Cibercultura

Acredito que estamos fortemente ligados à cultura digital, por ela se fazer presente em praticamente todos os segmentos aos quais a sociedade permeia e por se tornar tão necessária, de algum modo, às nossas vidas. Mas uma cultura não substituiu a outra; as divisões culturais não são eras separadas, elas têm se acumulado e algumas se sobressaem às outras de tempos em tempos.


Um exemplo que identifica vivenciarmos tais formações culturais é que a maior parte dos seres humanos possui algum registro (documento) e este também estará em cadastros de algum sistema computacional. Este registro impresso representa o indivíduo em algumas de suas características próprias. Só aqui é possível perceber algumas das culturas se relacionando uma com a outra em mesmo espaço-tempo.

Discussões e opiniões sobre mídias na educação

Outro exemplo, são algumas redes sociais (facebook, orkut, flickr, myspace, twitter, youtube, e outras), que permitem apps (ferramentas, aplicativos) em que se pode evidenciar praticamente todas estas culturas ao mesmo tempo, seja por meio de vídeos, fotos, bate-papo, chat, postagens, linha de tempo, propagandas, anúncios, reportagens, notícias, grupos, artigos, arquivos, e tantos outros.
Alguns dos conceitos de cultura que estão presentes no texto "O que é cultura?" são: Cultura "É o conjunto de atividades e modos de agir, costumes e instruções de um povo. É o meio pelo qual o homem se adapta às condições de existência transformando a realidade. (...) é um processo em permanente evolução, diverso e rico.". Pensando em cultura conforme a definição, acredito que estejamos em meio a todas estas formações.

Há que perceber que como disse a autora, Lucia Santaella,
Embora a divisão que estabeleço de seis eras culturais refira-se, de fato, a eras, prefiro também chamá-las de formações culturais para transmitir a ideia de que não se trata aí de períodos culturais lineares, como se uma era fosse desaparecendo com o surgimento da próxima. Ao contrário, há sempre um processo cumulativo de complexificação: uma nova formação comunicativa e cultural vai se integrando na anterior, provocando nela reajustamentos e refuncionalizações.
...o modo de que foi tratada a cultura num todo, não indica que cada momento foi único e teve sua vivência, eles foram sendo adaptados, renovados, inovados, criados, uns se incorporando dos outros. Nestes processos algumas características vão se perdendo, outras se transformando, mas não se delineia um período histórico, elas não viveram e não vivem isoladas.

Mídias: Cultura Digital.br

Lucia Santaella, ao se referir à definição de mídia, trabalha com a cultura em parte, mas são partes que estão sempre presentes, entrelaçadas, uma não supera a outra, uma não morre para a outra nascer, elas se utilizam, claro que em algum momento uma sobressai; como já afirmado antes, creio que vivemos mais a cultura digital, ela é então muito falada e afirmada (como diz Tas), justamente por ela ser o nosso presente. No percurso ela surgiu, e as novas gerações nem notam a diferença que nós notamos.

Os dois relatam sobre a audiência, sobre a enormidade de informações e de possibilidade de interação na comunicação e por isso a necessidade dada por eles de seleção... “as pessoas que começam a se destacar no meio desse barulho são as que ouvem... ou faço isso, ou falo sozinho...” (Tas). “a nova mídia determina uma audiência segmentada, diferenciada que, embora maciça em termos de números, já não é uma audiência de massa em termos de simultaneidade e uniformidade da mensagem recebida... a própria audiência torna-se mais seletiva” (Santaella).

A possibilidade de produção fora do ambiente é louvável, é necessária; de algum modo, aquele que não se vê inserido no ‘digital’, passa a usar tal ferramenta e de repente lhe vem o despertar para o novo em si, já que é vigente, mas não é nova a cultura digital. Devemos apenas cuidar, pois se estamos viajando, e lembrando de que estamos todos numa motocicleta, o Moodle ainda é o aporte que nos liga (o centro de nossa atenção, a central de propaganda que liga a viagem de cada um em suas postagens, a ‘motocicleta’).

Temos então uma ferramenta pronta (não acabada) da qual podemos fazê-la em nosso favor, em acordo com o que registramos, como que pretendemos disseminar; se a ideia é boa, em algum momento do perdurar ela estoura e então não caberá mais a propaganda, ela se vende por si.
Não é o número de acessos que dirá se isto ou aqui é de qualidade, é interessante, é necessário. Um exemplo, são os vários vídeos postados em canais do YouTube, com títulos chamativos e que não passam de propaganda enganosa, eles até consegue um certo número de visualizações, mas não perduram, e quem faz isso se perdurar é o autor, é sua narrativa, é saber (discernir) o que o outro deseja e disponibilizar.

Jorge Shemes, no blog diário de professor afirma que “Educar é instigar em cada aluno as suas próprias magias. Todo conhecimento é autobiográfico, cada um constrói seu próprio conhecimento, pois conhecimento não se transmite, mas se produz, partindo da realidade de cada um. Por isso o conhecimento autobiográfico é intransferível. O movimento e a atividade são os eixos norteadores da apreensão do conhecimento.

Gabriel Chalita diz que "a alma de qualquer instituição de ensino é o professor. Por mais que se invista na equipagem das escolas, em laboratórios, bibliotecas, anfiteatros, quadras esportivas, piscinas, campos de futebol - sem negar a importância de todo esse instrumento -, tudo isso não se configura mais do que aspectos materiais se comparados ao papel e à importância do professor". e segue "o computador nunca substituirá o professor. Por mais evoluída que seja a máquina, por mais que a robótica profetize evoluções fantásticas, há um dado que não pode ser desconsiderado: a máquina reflete e não é capaz de dar afeto, de passar emoção, de vibrar com a conquista de cada aluno. Isso é um privilégio humano." Para ser esta alma da educação o professor precisa vivenciar o aluno, o momento em que todos têm vivido e possibilitar que eles possam ser produtores, pensadores, criadores; mais valor há proposta da investigação, da instigação, já que a transmissão está disponível ao aluno.

Quando li este trecho da fala de Tas, ainda não havia lido as questões que incitavam o debate e separei-o para utilizar em outro momento, pois percebi que o que ele disse não é novo, mas que a fala já ouvida várias vezes antes, cabe bem para o que vivenciamos com a presença das mídias para nossos alunos. Ou nos atualizamos, ou nos perdemos enquanto função.

Santaella diz que “começaram a se intensificar cada vez mais os casamento e e misturas entre linguagens e meios, misturas essas que funcionam como um multiplicador de mídias. Estas produzem mensagens híbridas... a convergência das mídias, na coexistência com a cultura de massas e a cultura das mídias, estas últimas em plena atividade, que tem sido responsável pelo nível de exacerbação que a produção e circulação da informação atingiu nos nossos dias e que é uma das marcas registradas da cultura digital...as máquinas vão ficar cada vez mais parecidas com o ser humano, e não o contrário”
Os dois, cada um em sua linguagem, destacam a necessidade de se ter o “seu filtro” por vivermos imersos nesta gelatina, ou é, pela exacerbação de produção e circulação da informação sobre nós. Cada um de nós é único, somos diversos,... nossas vivências, nossos interesses, nossas buscas, o que temos como necessidade, é o nosso filtro, diz como nos relacionamos com tal gelatina.

A charge me parece revelar bem o que Tas afirma sobre a aceleração que vivemos, não dá pra ignorar, não há que supervalorizar, está aí... fazemos/somos parte, precisamos saber selecionar e ouvir. Há que cuidar para não irmos na contramão desta evolução na comunicação, na informação.

Recursos Tecnológicos e Efeitos na Vida das Pessoas

Pensando em efeitos sem considerar grupos específicos de pessoas, creio que temos mais efeitos positivos. É preciso perceber que os recursos tecnológicos não existem de agora; a possibilidade de cortar a partir do uso de pedras, por exemplo, foi um recurso tecnológico para o momento em que isso se percebeu.

Agora, pensando num "bum" dos recursos tecnológicos vindos do final do século passado (a grande velocidade em que eles surgem e novos ou similares os substituem), houve grande impacto em como as pessoas convivem com o meio; muito neste meio e até mesmo algumas pessoas foram substituídos por estes recursos e já havia um modo específico de se lidar com o meio que agora é visto em transformação, que para mim é mais que bem vinda. Agora o que faz com que outros não a vejam assim ou que ela não seja vista assim, é o receio pelo novo, o medo de se inserir, a insistência em permanecer ou mesmo, à finalidade em que tais recursos são empregados.

São então vários os efeitos provocados, e isso irá depender de cada pessoa, de qual recurso estamos falando, de como é determinada interface... Não há uma fórmula para se dizer os efeitos provocados nas pessoas, mas há como identificar uma diversidade de efeitos em grupos específicos.

Tratando mais próximo ao texto de Cleomar, quanto aos impactos interiores de cada pessoa (deslumbramento e encantamento), normalmente aquilo que é novo, que possui alguma característica atrativa, provoca sim um deslumbramento e aquilo que desejamos que perdure nos provoca um encantamento, e isso é individual, cada um se encanta ou se deslumbra com algo que outro pode não o sentir.

Pensando nos efeitos em grupos específicos, estaríamos falando de um período bastante discutido que foi dos imigrantes digitais até agora com os nativos digitais.

Para os nativos digitais, não vejo efeitos ou impactos relevantes, pois já lhes é um meio comum, vivencial. Eles convivem com computadores, vídeos-game, aparelhos eletrônicos, celulares, câmeras digitais e outros; para eles termos como web, internet, rede social, e-mail é algo singular.
Para estes, normalmente a busca e a seleção de informações é mais rápida, conseguem trabalhar com atividades paralelas/simultâneas, são melhor atraídos por gráficos que textos, têm gosto por trabalho em rede, se estimulam por interfaces que lhes respondam e recompensem.

Já nos imigrantes digitais, os efeitos/impactos foram/são significativos, já que em dado momento eles vivenciam um meio em que o tecnológico não existia e/ou não se desenvolvia com a mesma velocidade que hoje.

Neste grupo devemos tomar cuidado para diferenciar os impactos de uma tecnologia com recursos que realizam funcionalidades novas (algo que ainda não existia) e uma tecnologia que apenas aprimora/modifica uma atividade ou interfaces já existentes. Em qualquer uma delas, sente-se impactos como rejeição, dificuldade operacional e lógica, gasta-se considerável tempo para acostumar ou apropriar das funcionalidades de determinado recurso.

Para muitos, é difícil compreender que uma máquina computável não trabalha por si, que há alguém por trás dela que a 'programa' para certas funcionalidades, que ela é 'domável'. Para eles, os que têm certo domínio de determinados recursos são 'geniais', 'experts', 'inteligentíssimos'.

De algum modo a vida das pessoas (independente de grupos) sofreu e sofre interferências dos avanços tecnológicos e a cada dia há algo novo, ou aprimorado que facilita as atividades humanas, que praticamente zeram a distância para informações, que melhoram condições de vida, que permitem potencializar produções, que desempregam ou empregam, que tornam a vida mais confortável, que são prazerosas, que destroem e constroem,...

Houve neste retorno um entendimento simultâneo de efeito como impactante (aquilo que é novo) e mudança (aquilo que substitui antigas funções e o que se faz com os recursos).
Creio ter lançado algumas ideias que possam responder tal questão. Aguardo retorno, para saber se era esta sua intenção ao propor a pergunta.

Mídias. Quem somos e quem poderíamos ser diante de ti?


As mídias tem se modificado não quanto a seu papel, mas pelos recursos que disponibilizam os mesmo fins, a comunicação, a disseminação da informação. Elas provocam mais para a acomodação que para o conhecimento e para a informação imparcial. Há uma intenção de quem as manipula, por meios das mensagens que chegam ao receptor.

“Linguagem pode se referir tanto à capacidade especificamente humana para aquisição e utilização de sistemas complexos de comunicação, quanto à uma instância específica de um sistema de comunicação complexo. O estudo científico da linguagem, em qualquer um de seus sentidos, é chamado linguística.”

“Subjetividade é entendida como o espaço íntimo do indivíduo (mundo interno) com o qual ele se relaciona com o mundo social (mundo externo), resultando tanto em marcas singulares na formação do indivíduo quanto na construção de crenças e valores compartilhados na dimensão cultural que vão constituir a experiência histórica e coletiva dos grupos e populações.”

Seria a grande população - receptora - fraca quanto a linguagem, por pouco se mover frente à aquisição e utilização de sistemas complexos de comunicação, vivemos a mercê daqueles que se apropriam da linguagem.

Há grande interesse de outros setores nelas, isso não é de hoje. Em cada momento histórico, a mídia foi utilizada como arma em favor dos que se punham no lugar de dominantes. Vê-se então, a proliferação de informações visando afirmar uma ideologia, reforçar a economia, escoar produtos, criar tendências.

A massificação não ocorre só porque as pessoas contribuem em audiência ou porque se acomodam ao receber mensagens, mas pelas mazelas com as quais a população vive e as faz amoldarem-se. Questões como as condições financeiras, a baixa escolaridade, o acesso restrito ao conhecimento, contribuem para facilitar as intenções midiáticas quanto a tornar o receptor seu aliado, seja para a política ou pelo consumismo ou por razões ideológicas; trata-se da venda de ideias que culminam no enriquecimento ou no fortalecimento dos que se amparam por trás das mídias.

Há por trás das informações que as mídias transmitem, pessoas que trabalham pelos detalhes, e que pensam cada ação e reação que determinada ‘propaganda’, assunto, comportamento ou imagem (uma imagem vale mais que mil palavras) pode provocar e intencionam ao criar, para o que lhes interessa. Não é que seja uma ‘mensagem subliminar’, isso até existiu (existe), mas digo das sutilezas com que são preparados conteúdos favorecendo os objetivos que antes eram mais dos que controlavam a mídia por questões políticas e idealistas. A mídia hoje busca ser mais presente, mais “ao vivo”, mais “exclusiva”... Seu carro chefe é a venda de produtos, de ideias, de informação (capitalismo); pensa-se antes no ganho financeiro e por vezes ela está do lado que lhe convém, e ainda promove a falsa imparcialidade. Informações surgem mascarando o que lhes afeta, por meio de informações fúteis, fugindo ao real.

Tais mídias podem contribuir para aproximar a arte, a expressão, a cultura, a informação de uma maioria que não tem um contato direto com outros grupos ou regiões. Há nas mídias a possibilidade da transmissão não apenas de informações, mas do conhecimento.

É então necessário que o receptor, tenha consciência daquilo que lhe é transmitido,... Há que observar, refletir, escolher, interferir no transmissor, provocando a mudança da mensagem. Infelizmente, percebemos que as mídias, sabendo da 'fragilidade' de seu receptor, na maioria das vezes de forma sutil (ou escancarando) repassa a informação como lhe convém e o povo se apropria dela de braços abertos, sem receio.

Um fato que não podemos negar é a proximidade que a mídia trás das pessoas que partilham uma ideia, uma bandeira... Torna-se um instrumento, por exemplo, de comunicação entre acordos e desacordos, lutas, busca de direitos, comunicação direta entre regiões distantes, mas com mesmos propósitos. Um exemplo, vivenciamos em Goiás, mais presente em um blog e num grupo instalado no Facebook, quando da greve dos professores do estado... É certo que os resultados não foram os esperados, mas percebemos o quão importante foram o uso das mídias. O alcance para outros grupos, o apoio percebido, a mobilização e organização, formam alguns exemplos vividos por quem de algum modo ‘lincou’ as comunicações que eram lançadas nas mídias a todo o momento.

Este é um exemplo do bem da mídia, destacado no texto “A revolução será twittada”, outros que antes não participavam e que não conheciam os motivos pelos quais os professores se angustiam e vão à luta, agora percebem o que a política provoca e manipula, noticiando que a educação tem melhorado e que o professor tem sido valorizado com o tal pacto pela educação.

Em verdade, acredito que o Brasil não se vê nestes canais, sendo tão diverso e os manipuladores das mídias comumente engessam as mensagens que nos são repassadas; poucos são os momentos em que a exposição da cultura é desprovida de um propósito comercial. Pensando na aceitação do receptor, acaba que ele tem visto aquilo que quer, já que muito da vida de uma mídia está no número de adeptos.

É então a mídia o 'meu bem, meu mal', uma transmissora de sensações que caminha para a dedução, possibilitando o conhecimento (empirismo); por vezes um conhecimento construído que apenas absorvemos e não construímos, ou sequer interferimos.


Charles Bastos

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1 comentários:

  1. Oi Charles, muito bom seu comentário sobre o texto...
    Embora Santaella não use a terminologia de "categorias" ela se refere a diferentes "formações culturais", identificando seis eras culturais: a cultura da oralidade, a cultura da escrita, a cultura impressa, a cultura de massa, a cultura das mídias e a cultura digital. Cada uma delas tem características próprias, que você poderia identificar neste e em outros textos...
    Estas formações culturais, como você observou, não são excludentes: o surgimento de uma não faz desaparecer completamente a(s) anterior(es).

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