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Educação a Distância e Inclusão: Educação Integral e Integrada

Discussão sobre EAD e Inclusão no contexto da Educação Integral e Integrada.
O texto que segue é um conjunto de mensagens em participação de um fórum do curso de Educação Integral e Integrada. Nele estão discussões sobre Educação a Distância e Inclusão.

Educação a Distância e Inclusão: Educação Integral e Integrada

A educação a distância aproxima o ensino do aprendente na medida que torna mais fácil o acesso ao conhecimento. É uma modalidade de ensino e aprendizagem, em que alunos e professores, normalmente nos encontramos em espaços e tempos diferentes, e conseguimos nos comunicar com o auxílio de diversos recursos tecnológicos. Na medida que estes recursos têm se aprimorado a comunicação e a distância entre os atores, deixam cada vez mais de serem impecilios...

A EAD é cada vez mais necessária, uma vez que nos ocupamos sempre mais de novas atividade e necessitamos estar sempre atualizados. Não é uma modalidade nova, mas tem se renovado e se mostrado eficiente ao que se propõe. As principais dificuldades na EAD estão justamente no manuseio dos recursos tecnológicos e na organização de tempo e auto-estudo (motivação) para cumprir com as atividades a serem desenvolvidas nos cursos que são ofertados na modalidade. As principais vantagens estão em se organizar em local e tempo de acordo com a disposição de cada estudante. As possibilidades estão romper as barreiras de uma sala de aula 'tradicional', uma rotina diária de aulas, conseguindo assim espaço para outras atividades.

Um exemplo: A graduação em matemática que fiz foi de 4 anos na UFG em Rialma, foram 4 anos indo e vindo de segunda a sábado e tendo que encontrar tempo para as demais atividades do curso. Uma graduação em EAD, rompe essa rotina, mas exige do aluno, a necessidade de se policiar quanto ao cumprimento de tempo para estudo independente e de frequentar ambientes virtuais de aprendizagem a fim de interagir com os demais. Tal modalidade facilita ao acesso de cursos almejados de modo a romper distância e tempo, mas faz com que o aluno tenha um perfil diferente do aluno de um curso presencial.

O foco atual da EAD tem sido formar para a Educação, basta perceber que praticamente todos os cursos de graduação ofertados são de licenciatura. Aluno como você, faço parte da EAD, e também como tutor, e a cada novo curso, por exemplo - no Polo UAB de Uruana, percebemos que os alunos se diversificam cada vez mais.

O caso do curso de Informática, em que são alunos de 18 a 55 anos, é exemplo de uma diversidade em que se pode apontar a vivência de uns; a facilidade em lidar com recursos tecnológicos de outros; a dificuldade ou a facilidade em leitura, interpretação, análise e produção; quero dizer que, mesmo nesta modalidade [que procura formar principalmente professores] o público continua sendo diversificado. A motivação dos envolvidos, a persistência, a vontade de se superar são muito necessárias numa modalidade em que o contato visual e físico é raro.

Sermos diferente é que provoca inquietações, mudanças; sendo diferentes, podemos sempre evoluir e é justamente na cooperação que construímos o conhecimento. 

Quando se firmou a política de Inclusão nas escolas, vieram muitos a dizerem "Será que a escola está preparada para ela?" Creio que uma escola nunca está preparada para a inclusão, ela ocorre aos poucos e tal processo (de preparo para a inclusão) não finda. A escola está sempre recebendo novos alunos, pais, funcionários.

A inclusão é tão necessária, pois não se deve pensar a inclusão para apenas alunos com alguma deficiência ou superdotação. Ela se refere às diferenças, às diversidades; a escola precisa estar em constante modificação de acordo com a demanda que a ela é ofertada. Ela ocorre com crianças de famílias desestruturadas, com adolescentes à margem da sociedade, com adultos em idade além da estabelecida para ensino e aprendizagem, com deficientes e superdotados, com pessoas de diversas classes sociais e econômicas, de cores de pele diferentes, de origens diferentes, de diversos segmentos religiosos e culturais. Deve ocorrer de modo a ofertar o máximo de conhecimento, nas melhores condições possíveis, sem desmerecer algo ou alguém, é preciso valorizar cada uma destas diferenças. 

Pelo que percebo nos cursos ofertados (Artes Visuais, Educação Física e Informática) aqui no Polo UAB de Uruana, e como já relatado em mensagem anterior, o público é bastante diversificado, como: idade entre 18 e 55 anos, alunos apenas com nível médio e outros com uma ou mais graduações e até com especializações, alunos que nunca antes tiveram contato com a EAD e alunos que já realizaram vários cursos nesta modalidade, entre outras características específicas. Então é possível afirmar que a EAD tem abarcado alunos com e sem experiência na modalidade.

Creio, que de acordo com as políticas de EAD nos últimos anos, ela tem se expandido muito e compreende até mais que o principal público pretendido que era pessoal da educação - professores.

Mais adentro da realidade dos cursos, há todo um critério de organização de disciplinas, de disposição de atividades, de estudo que a cada passo em um curso vão sendo reavaliados e modificados de modo a possibilitar o melhor ensino e melhor aprendizagem. Mesmo na modalidade EAD, cada IE se estrutura de modo diferenciado, em acordo com seus padrões de cursos presenciais.

Em se tratando da política de Educação a Distância, seria bom focar cursos para outros públicos, não pensando somente na característica do público, mas no molde do curso. Como praticamente todos os cursos ofertados atualmente são voltados para a educação, eles são para licenciatura. O que digo é, que houvessem cursos sob demanda não só em tal área, mas para suprir outros mercados.

Acredita-se que a EAD é nova, se pensarmos nela nos moldes que temos atualmente (AVA - moodle, softwares, computadores, internet), ela é nova; mas a EAD enquanto modalidade de ensino a distância, data de muito tempo, claro que a comunicação entre aquele que aprende e aquele que ensina nem se compara; uma educação por telegramas, correios, apostilamento, Rádio, TV, fazia com que o aluno tivesse que ser ainda mais independente em seus estudos, caso quisesse aprender.

A EAD tem se estourado e tornado reconhecida, justamente pela política de educação e questões sociais que vivenciamos, em que o tempo para estudo é cada vez mais escasso, a necessidade de conhecimento é sempre crescente e o Brasil, rico que é, ainda sofre pela baixa escolaridade que marca índices que mexem com a economia, com a política e com a própria educação.

Acredito na EAD, pensando no ponto em que o aluno é que escolhe se quer ou não aprender, o mérito de sua validade está mais no aluno que em seus processos. Aquele que não buscar aprender sempre, deixa que a evolução passe por ele, e suas atividades enquanto docente vão se tornando repetitivas, rotineiras e pouco atrativas aos alunos.

Os recursos tecnológicos têm avançado muito nos últimos anos, muitos de nós [professores] somos os 'analfabetos digitais', temos pouco ou nenhum conhecimento a respeito principalmente do uso de ferramentas no computador e internet, que podem ser fontes riquíssimas no ensino e na aprendizagem dos alunos. A EAD cresceu tanto nos últimos anos,... prova disto foi uma pesquisa divulgada ontem em que os cursos de graduação a distância já representam quase 15% de toda a Educação Superior. E que a Educação Superior mais que dobrou nos últimos 10 anos. Fontes: G1-Globo, Sitio Tribuna do Norte.

A EaD tem se moldado diferentemente ao longo de muitos anos; ela se intensificou no Brasil a partir da última década. Um dos grandes impulsos foi a possibilidade do uso de máquinas computáveis cada vez mais aprimoradas e dos suportes que elas podem trazer, acompanhadas da internet. As vantagens da modalidade atualmente se baseiam basicamente nos AVAs, que a cada momento adicionam novas ferramentas para a comunicação, para a produção de atividades e devolutivas. Aos poucos se tem evidenciado mais a inclusão, principalmente sob visão política ligada diretamente à educação. Levantou-se esta bandeira para diversas outras áreas, ainda que por imposição da Lei (cotas). 

A inclusão direcionada em escolas comuns, em que convivem pessoas deficientes, superdotados, e pessoas não deficientes oportuniza a todos uma melhor relação social a cada nova geração e desperta tão somente pelo convívio a questão do ser que trabalha pela inclusão.

Mesmo que não existissem escolas preparadas para a inclusão, (e que por mais preparo, atualização, organização, material, suporte que a escola possua, ela nunca estará de todo preparada para receber um novo aluno deficiente) o panorama atual, já evidencia melhoras nas relações sociais; não se tem sido mais uma questão de 'aceitar', mas de respeitar e exigir respeito do outro.

Creio que o mais importante da inclusão na educação esteja justamente no respeito ao outro e no oportunizar condições de independência à pessoa com deficiência (algo que nos centros especializados não é de todo completo, pois por mais que aprenda, o deficiente perde um pouco a noção de relação com o outro, quando passa a conviver apenas em determinado ambiente).

Ao que se trata de inclusão, creio seria bom não usarmos o termo "portador de necessidades" (exemplo no último parágrafo da página 39, Volume I), pois deficiência não é algo que se escolhe portar hoje e não portar amanhã. Uma discussão sobre isto está disponível em BengalaLegal ou Movimento Livre.

Charles Bastos

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