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A Inclusão Digital favorece a Inclusão Social?

Será que incluir digitalmente favorece à inclusão social?
Inclusão tem sido bandeira de segmentos políticos, econômicos, educacionais nestes últimos anos. A política de inclusão social tem modificado o modo com que as pessoas devem se ver e ver uns aos outros. Respeito, conhecimento, diversidade e valorização, têm sido fortes palavras no estruturar da sociedade para uma necessidade de origem, mas só agora tem sido tão discutida e então surgem as inclusões e todas elas na social.

A Inclusão Digital favorece a Inclusão Social?

Ao relacionar inclusão digital e inclusão social precisamos entender que uma não ocorre sem a outra. É inevitável não tornar-se incluído digital, ou padece por não saber utilizar um controle remoto, ou um micro-ondas, ou um caixa eletrônico, é forte a presença do digital. A inclusão social é maior, ela relaciona a inclusão para o indivíduo, seja ele quem for: sua origem, suas crenças, sua cultura, os grupos que segue suas individualidades não devem determinar quem ele é, pois todos somos seres humanos e, portanto, nossos direitos e deveres enquanto cidadãos devem ser legítimos.

Percebe-se a mudança dos cenários com a inclusão, mas ela é lenta e depende de inúmeros fatores, - economia, saúde, educação, política, religião, entre outros -, que estão em nossas mãos. Então, incluir digitalmente não é determinante para incluir socialmente, mas sem o digital, a inclusão social não ocorre.
A inclusão social, não é apenas virtual, ela não ocorre apenas no acesso à informação, na proximidade da comunicação, não é por seu conceito - inclusão digital - de compreender “a universalização do acesso aos computadores e à Internet, além do domínio da informática básica” (BASSANI & HEIDRICH, 2011) que se garante o social.
E mesmo a inclusão digital ocorrendo, não se avaliza a inclusão social. Ampliam-se as oportunidades, mas não abona o social. Talvez, alguns apontamentos para isso poderiam ser, a) Aproximação virtual, distanciamento físico. Maior contato entre recursos e mídias, com menor tempo para a proximidade física; b) Problemas de disseminação do preconceito, da discriminação, da informação sem filtro e de conteúdos sem mediação ao receptor. Quem está a frente de acessos web, de link em link, mesmo que não intencional, em algum momento acessa conteúdo com o qual ele não domina e sem orientação ou pouco conhecimento, torna-se influenciável; c) A inclusão social passa pelo respeito aos grupos criados por características específicas, pela educação, pelo conhecimento aberto e amplo, pela autonomia, por fazer valer seus direitos e cumprir os deveres, por lutar em questões políticas e econômicas... d) A dimensão territorial do Brasil e as camadas socioeconômicas, - que ainda são barreiras para o digital, contribui como entrave à diversidade e culturas deste país.

Não podemos negar que têm ocorrido mudanças consideráveis a relação entre as pessoas, na disseminação da informação, que a comunicação torna-se mais breve e próxima. Isso tem chegado, não com a mesma velocidade, em classes sociais, em setores que antes se viam à margem dos grandes centros, que dificilmente tinham oportunidades de se mostrarem e de crescerem. Infelizmente, a questão da velocidade é evidente, o Brasil é diverso, é grande, ao mesmo tempo em que a inclusão digital aproxima por tais questões, distancia por outras.
As TIC viabilizam diferentes possibilidades de comunicação e interação, participação social e política, por meio dos serviços de troca de mensagens, bate-papo online, fóruns, blogs e outros. Destaca-se ainda a ampliação dos serviços vinculados ao Governo Eletrônico e dos debates políticos que estão sendo promovidos na Internet. Assim, as pessoas sem acesso são excluídas da possibilidade de exercer sua plena cidadania. (SILVEIRA, 2009).
Mesmo com recursos midiáticos e na web, a questão da inclusão social, quando tratamos das deficiências, das superdotações e de TDH’s, há um pensamento e algumas ações que possibilitam algum acesso de pessoas com alguma destas características. Isso ainda é pouco, são poucos os ambientes adequados, sejam eles físicos ou virtuais.

O acesso não ocorre da mesma maneira, com os mesmos meios, para todos, ele tem sido localizado e isso provoca a permanência de alguns grupos ainda fechados, o que para a inclusão não é bom.

Se com a inclusão digital a inclusão social não se garante, - pois ela depende de outros fatores que não só o digital -, sem ela o ser torna-se ainda mais distante do outro, das possibilidades que se abrem, das mudanças que vivenciamos. SILVEIRA (2009), diz que “a sociedade é cada vez mais uma sociedade da informação e os grupos sociais que não souberem processar, encontrar, organizar, armazenar, recuperar e distribuir essas informações poderão ter suas condições de vida degradadas. Além disso, a exclusão das redes digitais elevará ainda mais a exclusão social”.


* A imagem utilizada neste post foi capturada num banco de imagens de um ofertado na modalidade EaD, sua origem não foi informada.

Referências Bibliográficas

BASSANI, Patrícia B. Scherer. HEIDRICH, Regina de Oliveira. Inclusão digital como processo de inclusão social. Disponível em: http://www.estadodedireito.com.br/2011/01/08/ inclusao-digital-como-processo-de-inclusao-social/. Acesso em 15 jun. 2012.

SILVEIRA, Sergio Amadeu da. Inclusão digital reduz exclusão social?. Disponível em: https://www.institutoclaro.org.br/em-pauta/sociedade-em-rede-o-social-e-o-digital-por-sergio-amadeu-da-silveira/. Acesso em 16 jun. 2012.

Charles Bastos

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