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Sobre Leitura, Dedicação, Criatividade e Plágio

Observações a respeito do plágio em trabalhos acadêmicos.
O plágio é um crime contra a propriedade intelectual, artigo 184 do Código Penal Brasileiro. Essa prática é injusta, pois usurpa o trabalho de um pesquisador, que coletou dados, leu livros, artigos, analisou e defendeu seu trabalho dentro dos parâmetros científicos. (MEUCCI, Arthur. p. 72-73, 2013)
Durante alguns meses, acompanhei a organização de doze projetos de pesquisa e mais especificamente por um período aproximado de um mês, dediquei-me à leitura e observações a respeito destes projetos.

Sobre Leitura, Dedicação, Criatividade e Plágio

Todos os projetos se referenciavam à área de informática, com temáticas variando em: computador, formação do professor, internet, inclusão social, TICs, recursos tecnológicos, laboratório de informática, pesquisa e prática pedagógica; e estes projetos foram organizados por alunos de um curso de graduação na modalidade de EAD.

Deparei-me com dificuldades relacionadas ao desenvolvimento destes projetos que iam desde a formatação, o modo de referenciar um autor, a organização de uma citação, a concordância em frases, o desenvolvimento de uma linha de raciocínio, a limitação de tema, e outros. Percebi que a maior parte destas dificuldades deriva principalmente da falta de leitura. Não é a questão da distância, da falta de contato, mas do não dedicar tempo suficiente (uma pressa para tudo), da falta de criatividade e curiosidade.

Para a elaboração havia um manual, por vezes com informações divergentes, não havia orientação presente, mas havia a quem recorrer, caso preciso e alguns deles o fizeram em tempo, outros na ‘prorrogação’. Não escrevo na intenção de criticar ou condenar, de defender ou não a modalidade, mas de alertar para a necessidade de maior dedicação aos estudos e principalmente de leitura.

Houve quem não compreendesse que fazer uma citação era referenciar-se em alguma publicação/fala de algum autor, acreditando que deveria encontrar citações prontas e reproduzi-las em seu trabalho... Faziam apud sem saber (citação de citação), e chegavam a criar “apud de apud...”. Foram momentos a distância de intervenção nos projetos, de correções, de revisões, de troca de experiências, de uma oficina presencial colaborativa.

Um último alerta e que me incomoda muito, está recorrente à falta de leitura; para se escrever basta copiar os traços de outra pessoa, mas para ter sua própria escrita é preciso antes ler e ler muito. Ainda temos um agravante, que é a deficiência na escrita, e tendemos a repetir outras falas, outras conversas, fazemos recortes, mudamos algumas palavras, mas a ideia de outra pessoa está ali, encravada no que produzimos. Será que produzimos mesmo, se a ideia não é nossa? A questão do plágio é conflitante, pois praticamente tudo o que imaginamos já existe de alguma forma, então estamos sempre plagiando?

É preciso cuidar da leitura, ler não é perca de tempo, é ganho de conhecimento, é amadurecimento é aprender. Precisamos criar, produzir o novo; não há problema em refazer algo que já está aí, o problema é não atribuir valor para quem o criou. Vivemos num mundo de posses, de direitos autorais, de patentes,... Isso passa do ponto, por vezes, mas é importantíssimo reconhecer aquilo que é devido a outro.

Acredito que pelo nível inicial de boa parte dos alunos, saímos-nos muito bem e conseguimos avançar muito. Vários trabalhos podem melhorar, precisam melhorar, mas espero que colham bons resultados com a experiência na estruturação de seus projetos de pesquisa. Este momento de reflexão fica por aqui e nós continuamos a estudar; Parar? Jamais, enquanto nos for permitido o movimento, seguimos em frente.


Referência

MEUCCI, Arthur. O plágio e a formação científica. Revista Filosofia (Ciência&Vida) ano VII nº 82, maio 2013.

Charles Bastos

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