Artigos recentes

Navigation

Relato de experiências a respeito da Educação a Distância

Relato sobre algumas experiências quanto ao Ensino a Distância e ao uso de Ambientes Virtuais de Ensino.
Desde 2010 pude estar aluno de cursos (capacitação, formação continuada extensão e especialização) na modalidade EaD (Educação a Distância) e também tutor de um curso de licenciatura em informática. Estas experiências me permitiram estar em diferentes papeis dentro do ensino a distância; a seguir relato um pouco sobre estes dois papeis e expresso minha opinião a respeito de tal modalidade.

Relato de experiências a respeito da Educação a Distância

Durante quatro anos fui tutor de um curso de graduação em licenciatura em informática e por maior tempo participei de cursos de capacitação, formação continuada, extensão e especialização, todos na modalidade EaD. Nestes dois momentos de experiência, pude perceber inúmeras situações que me permitem relatar sobre o ensino a distância. Tal modalidade de ensino é caracterizada principalmente por ações mediadas entre sujeitos e com recursos tecnológicos em tempos e espaços diferentes.

A oportunidade do sujeito de se programar para aprender e ensinar em tempos e espaços variados é um atrativo que permite ampliar o ensino àqueles que se veem impedidos de frequentar a escola comum no tempo em que ela está aberta aos alunos. O mesmo vale para espaços em que a escola não esteja próxima ou que o aluno não tem condições de se deslocar. Mas para que o ensino a distância seja produtivo é preciso ter alunos ou que estes alunos se proponham a um perfil de maior independência da presença do sujeito professor. É preciso que se tenha um aluno que se organize, que se programe, que tenha uma rotina de leituras e estudos ou pouco ele irá de fato aprender.

Alguns relatos enquanto fui tutor


Alguns problemas foram percebidos justamente pela imaturidade de muitos alunos ou por eles se comportarem como se, sendo um curso EaD, as atividades, as avaliações e outros afazeres tivessem que ser mais fáceis e facilitados. Quando a IES (instituição de ensino superior) que está por trás do curso se empenha, o perfil do curso é tão valoroso quanto o mesmo curso ofertado na modalidade presencial. Aos alunos que não se dedicam ou que creem que a educação a distância é uma facilitação para obter certificação, o resultado é muitas vezes a repetência e a desistência. Existem alunos que não se adequam ao perfil necessário e mesmo com os inúmeros espaços explorados no Moodle (AVEA - Ambiente virtual de ensino e aprendizagem) (vídeos, tutoria presencial, chats, fóruns, material impresso, web conferência, etc.) se atrasam nas leituras, na realização das atividades, na participação de chats, fóruns e não conseguem seguir no curso.

No período que estive tutor de um curso de graduação (tutor não possui qualquer vinculo empregatício) percebi o quanto os sujeitos são importantes para o bom desenvolvimento de um curso e boa parte dos sujeitos estão nas IES. A graduação ofertada pela instituição "X" (prefiro não mencioná-la) nestes 4 anos, não contou com qualquer professor de quaisquer disciplinas que estivesse presente nas turmas do curso, raros foram os professores de disciplinas que realizavam alguma ação no ambiente, os alunos (em sua maioria residentes em municípios vizinhos ao do Polo da UAB - Universidade Aberta do Brasil) contavam muito com os tutores presenciais (éramos dois tutores para duas turmas de aproximadamente 30 alunos cada).

A coordenação deste curso necessitou inclusive de verificar com os tutores as notas dos alunos em algumas disciplinas, pois eles não haviam realizado parte do registro e perderam outros dados. O curso começou a ser organizado juntamente com o início das primeiras turmas em fevereiro de 2010 e hoje (2015), mais de um ano após a colação de grau das primeiras turmas, o curso ainda não é reconhecido e os alunos não possuem certificação. Foram muitos os problemas durante o curso, muitos deles por conta da falta de estrutura da instituição responsável pelo curso. Em algumas disciplinas não haviam professores e os tutores dos polos da UAB foram responsabilizados pela estruturação dos conteúdos e atividades, função que não nos cabia e que não fomos remunerados.

Mais grave ainda, houve uma aluna que colou grau sem ter terminado o curso. Ela fez por três vezes uma mesma disciplina não conseguindo aprovação, realizando avaliações desta disciplina por cinco vezes e em uma destas vezes com consentimento da tutora, realizando pesquisa e mesmo assim não conseguiu nota mínima para aprovação. Tal aluna aprontou boas, utilizando-se de vantagem política em seu município e desfazendo-se de funcionários do polo UAB e mesmo assim a instituição reconheceu a aluna como aprovada, não sei ao certo o que fizeram. Isto é algo que desvaloriza o ensino e é reflexo do que muitos indicam para esta desvalorização. Infelizmente foi algo esperado, pelas condições indicadas a respeito da instituição X.

Enquanto fui aluno e o uso do AVEA


Houveram alguns cursos que fui aluno, em que os retornos eram sempre em tempo, os materiais eram bem elaborados, os professores de disciplinas agendavam momentos de chats e ao menos uma vez visitavam as turmas para apresentação de suas disciplinas e de como elas seriam desenvolvidas, as atividades e ferramentas escolhidas eram adequadas, nestes cursos foi percebível a organização da instituição envolvida. Neste caso não me incomodo em nomear a instituição: UFG - Universidade Federal de Goiás (Unidades de Goiânia e Catalão) e CIAR - Centro Integrado de Aprendizagem em Rede.

Tive experiências de uso de ambientes como o Moodle, em um curso do PRONATEC, em que parte das atividades teóricas eram realizadas ou entregues por meio do ambiente. A configuração de um ambiente para uso não é complicada e pode poupar recursos e tempo dependendo do tipo de ferramenta e de atividade que se deseja aplicar. O exemplo que indico está no sítio APRENDER LIVRE; para visualizar e verificar a sala que estruturei, basta realizar um cadastro rápido e acessar o sítio. Ao realizar o cadastro você também poderá criar salas e assim estruturar atividades para uso didático.

Um dos cursos que fiz foi justamente de estruturação de diversos ambientes de ensino com recursos tecnológicos e uma das etapas foi criar e configurar uma sala virtual de ensino. Os primeiros passos exigem certo entendimento da ferramenta em uso, mas aos poucos acostumamos e nos arriscamos a criar atividades mais elaboradas com auxílio das ferramentas disponibilizadas pelo Moodle.

Frente a estas experiências descritas e a outras que vivencio no ensino a distância, precisamos acreditar que a modalidade é uma boa oportunidade para muitos e que esta tem crescido, precisando como qualquer outra modalidade sempre ser reestruturada, procurando oferecer melhores condições de ensino e de aprendizagem, no pensamento de ensino para todos. Neste breve relato, é possível perceber a importância da instituição que oferta o curso em parceria com a UAB, os polos e municípios e também a importância do sujeito que participa das atividades envolvidas na modalidade, como em qualquer outra modalidade é o sujeito o ser de ação e é ele que determina o caminho e a chegada.


Charles Bastos

Comente este artigo:

2 comentários:

  1. Muito obrigada por dividir sua experiência conosco.
    Att. Maria Aparecida Ribeiro

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Maria Aparecida Ribeiro!

      Obrigado por seu registro. Volte sempre ao blog!

      Excluir